
ELSON FARIAS – VIDA E LITERATURA
(Cronologia)
1936 – Nasce Elson (José Bentes) Farias em Roseiral, um sítio de propriedade do seu pai plantado às margens do Paraná de Serpa, município de Itacoatiara, às 10 horas da noite de 11 de junho, filho de Elesbão Pereira Farias e Maria Secundina Bentes Farias. Aí estuda as primeiras letras com o professor Simplício Gama, numa escola mantida por seu pai e oficializada pelo poder público. Convive com um tio do seu pai, Luiz Cantuária Lira, que elege como seu próprio tio, o tio Luiz, que lhe ensina a linguagem e os mistérios do rio e da floresta, aprendida junto com a fala.
– Por intermédio dos seus irmãos maiores Edison e Socorro que estudam em Manaus e passam as férias anuais na casa do Paraná de Serpa, entra em contacto com a poesia dos livros e as primeiras informações sobre música erudita, em especial quanto ao sentido da obra de Beethoven.
– Manuseia os primeiros livros na pequena biblioteca do seu pai, em Roseiral, e se inicia no hábito da leitura. Lê e relê um manual de história da religião elaborado por educadores salesianos.
1942 – Faz sua primeira viagem com os pais a Manaus e assiste às solenidades públicas do I Congresso Eucarístico Diocesano. Fica fascinado com as luzes do altar monumental e os paramentos das autoridades eclesiásticas nos rituais da igreja.
1943 – Muda-se com os pais para a cidade de Itacoatiara, onde inicia o curso primário no Grupo Escolar Coronel Cruz.
1945 – Muda-se com os pais para a vila de São Sebastião, no rio Uatumã, distrito do Município de Urucará. Interrompe os estudos por não ter escola na vila.
1946 – Muda-se com os pais para a cidade de Urucará onde reinicia os estudos no Grupo Escolar local.
1947 – Muda-se com os pais para a cidade de Parintins, onde conclui o curso primário no Grupo Escolar Araújo Filho.
– Passa uma boa temporada na Usina Varre Vento, de beneficiamento de óleo de pau rosa, às margens do rio Uaicurapá, onde seu pai assume a gerência e trabalha como pequeno operário.
1948 – De volta a Parintins trabalha como aprendiz de carpinteiro num estaleiro de construção naval.
1951 – Ingressa no curso de comércio da Escola do SENAC em Parintins;
– com os seus colegas de escola funda o Grêmio Estudantil Castro Alves que desenvolve intensa atividade cultural na cidade e escreve os primeiros poemas; lê muito, tudo de poesia que lhe cai nas mãos dos poetas românticos, parnasianos e simbolistas brasileiros e portugueses;
– edita, com um grupo de companheiros, um jornal mimeografado e de circulação semanal intitulado A Flama;
– compõe os quadros do Centro de Cultura de Parintins, projeto de uma futura Academia de Letras e, na sua revista Parintins Ilustrada, estréia como poeta;
– trabalha como datilógrafo no Cartório do 2º Ofício da cidade de Parintins;
1953 – É nomeado Amanuense de Secretaria da Prefeitura Municipal de Parintins.
1954 – Por indicação de lideranças políticas locais converte-se em candidato a Vereador à Câmara Municipal daquela cidade, não logrando êxito embora tenha sido o mais votado em legenda que não consegue obter o coeficiente necessário a eleger os seus candidatos, conforme a legislação eleitoral de então. Não concordando com o seu ingresso na vida político-partidária, seu tio José Feliciano Michiles Sobrinho, que é casado com uma irmã de sua mãe, conhecido por Zaguri, convence os pais do poeta a trazê-lo para Manaus.
– Ingressa na Escola de Comércio Rui Barbosa.
– Ingressa na Juventude Estudantil Católica – JEC. O Pe. Moisés Lindoso, assistente espiritual desse movimento em Manaus, inicia-o na leitura da poesia moderna, por meio das obras de Paul Claudel, Jorge de Lima e Augusto Frederico Schmidt. Na medida em que ingressa no universo da poesia moderna percebe que o seu mundo é o mundo amazônico, a sua origem e a sua vivência amazônicas, e decide realizar uma obra que revele essa realidade. Rasga e joga fora a primeira coletânea de poemas ainda inéditos e que esperava editar em Manaus. E começa a escrever os poemas de Barro Verde.
– É contratado funcionário da agência do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em Manaus.
1955 – Ingressa no Curso de Formação de Professores do Instituto de Educação do Amazonas, realizado até o segundo ano.
1960 – Entra em contacto com os poetas e artistas do Clube da Madrugada, movimento de renovação das artes e letras em Manaus.
– É contratado como auxiliar administrativo do SESI – Serviço Social da Indústria, em Manaus.
1961 – Estréia com o livro de poemas Barro Verde, saudado por Nelson Werneck Sodré, então um dos críticos mais respeitados na imprensa brasileira, como um dos melhores livros de poesia do ano em curso, considerando seu autor uma revelação no gênero, e que muito nele poderá renovar. Mais tarde, ao acusar o recebimento do Romanceiro, em carta datada de 27 de maio de 1985, Nelson Werneck Sodré escreve-lhe: Felicito-me de ter visto em sua poesia, há muito, um momento muito alto da moderna criação poética brasileira.
– Tem poemas de Barro Verde incluídos na Antologia da novíssima poesia brasileira, organizada por Walmir Ayala e lançada no Rio de Janeiro.
– É nomeado escrevente datilógrafo da Delegacia do Ministério da Fazenda no Amazonas. Observando que não pode viver só de literatura, faz uma clara opção em se dedicar às letras e ao serviço público.
1963 – Lança Estações da Várzea, o seu segundo livro de poemas.
1965 – Lança o seu terceiro livro de poemas Três Episódios do Rio, com capa do artista argentino Horacio Elena e ilustrado com 3 (três) belas xilogravuras de Álvaro Páscoa, artista plástico português integrado ao Movimento Madrugada.
– Tem poemas incluídos na Lira Amazônica, antologia organizada por Anísio Mello e lançada em São Paulo.
1966 – Lança o quarto livro Ciclo das Águas, coletânea de poemas reunindo os três livros anteriores e mais os até então inéditos Sábado e Pequeno Romanceiro do Rio Amazonas.
– A 30 de julho, com um grupo de companheiros funda a União Brasileira de Escritores do Amazonas, convertendo-se em seu primeiro Presidente.
– Tem poemas incluídos na Seleta Literária do Amazonas, organizada por José dos Santos Lins e lançada em Manaus.
1968 – Assume o cargo de Diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Estado da Educação e Cultura do Amazonas.
– Lança o quinto livro de poemas Dez Canções Primitivas.
1969 – Após coordenar o Seminário de Revisão Crítica da Cultura no Amazonas, debate que contou com a participação de segmentos expressivos da intelectualidade amazonense, o Departamento de Cultura é transformado na Fundação Cultural do Amazonas, tornando-se o seu primeiro Diretor-Superintendente;
– No dia 3 de fevereiro, depois de eleito, é empossado na Academia Amazonense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 12 de Olavo Bilac.
– Lança o sexto livro de poemas Um romanceiro da criação.
1970 – Assume as funções de Secretário de Estado da Educação e Cultura no Amazonas;
– Lança o sétimo livro de poemas Do Amor e da Fábula.
1972 – É nomeado Secretário-Executivo da Associação Comercial do Amazonas, cargo que exerce até 15 de julho de 1977.
1973 – No dia 9 de março casa-se com Roseli Franco de Sá Farias, na Igreja de São Sebastião, em Manaus.
1975 – Dia 9 de novembro nasce o filho Marcelo Franco de Sá Farias, hoje Arquiteto e Paisagista.
1976 – Dia 25 de agosto nascem, prematuramente, as filhas gêmeas Klarisse e Kleyde Franco de Sá Farias. Kleyde sobrevive a apenas 30 (trinta) dias. Klarisse é hoje Psicóloga.
– Publica o oitavo livro de poemas Imagem, ilustrado com bicos de pena de Álvaro Páscoa.
1977 – Lança o nono livro de poemas Roteiro Lírico de Manaus em 1900, ilustrado com fotografias da época.
– Assume as funções de editor de telejornalismo da Rede Amazônica de Televisão em Manaus.
1978 – Lança Made in Amazonas, a décima coletânea de poemas escritos sobre xilogravuras da artista amazonense Maria Auxiliadora Zuazo.
1979 – A convite do Governador José Lindoso assume as funções de Assessor de Imprensa do seu gabinete;
- Assume o cargo de Secretário de Estado da Comunicação Social do Amazonas.
1980 – Ingressa no Clube de Poesia e Crítica de Brasília;
– lança o décimo primeiro livro de poemas Palavra Natural.
1982 – No dia 13 de maio é nomeado Conselheiro do Conselho de Contas dos Municípios, mais tarde transformado no Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Amazonas.
- Tem poemas incluídos na antologia Poetas do Amazonas, organizada pela UBE e lançada em Manaus.
1985 – Lança o décimo segundo livro de poemas Romanceiro. Converte o produto da venda desse livro na criação da Editora Puxirum que chegou a lançar mais de 10 (dez) livros de poesia e prosa de autores amazonenses.
– Tem poemas incluídos na antologia Poetas Contemporâneos, organizada por Henrique L. Alves e lançada em São Paulo.
1986 – No período de 11 a 31 de maio participa em Berlim, Alemanha, do Seminário sobre Objetivos e Tarefas das Administrações Municipais no Domínio da Proteção Ambiental, realizado em cooperação com a Associação Brasileira de Municípios e a Secretaria de Estado do Interior de Berlim, quando se debatem opiniões e idéias sobre o tema entre funcionários e políticos municipais da República Federativa do Brasil e da República Federal da Alemanha. Até a primeira quinzena de agosto realiza viagem de observação das origens européias de nossa formação cultural, em Portugal, Espanha, Itália e França, passando a maior parte do tempo nas cidades, vilas e aldeias do interior desses países do sul da Europa.
1989 – É empossado após ter sido eleito Presidente do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Amazonas.
1990 – Sai uma segunda edição ampliada do Romanceiro.
– No dia 20 de junho recebe o Diploma do Mérito Cultural, conferido pelo Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, pelo conjunto de sua obra poética e por sua importante contribuição à frente dos órgãos Culturais do Estado.
1992 – Dia 21 de abril nasce o filho José Eugênio Franco de Sá Farias, o Zezé.
1993 – Lança o seu primeiro livro em prosa intitulado Cem anos de fé na floresta, ensaio de estudos de história sobre o Centenário da Arquidiocese de Manaus.
1994 – Tem poemas incluídos na antologia Alma Gentil, novos sonetos de amor, organizada por Nilto Maciel e lançada em Brasília.
– Tem poemas incluídos na antologia Poetas e prosadores do Amazonas, organizada por Arthur Engrácio e lançada em Manaus.
1995 – Lança o décimo terceiro livro de poemas Balada de Mira-Anhanga e outras aparições.
– Afasta-se do serviço público e decide dedicar-se integralmente às atividades literárias.
1996 – Estréia como ficcionista com o romance O adeus de Diana.
– Tem um poema vertido para o espanhol por Thiago de Mello e incluído na antologia Visión de la poesía brasileña, organizada pelo próprio poeta de Os Estatutos do Homem e lançada em Santiago do Chile.
1997 – Possui um poema traduzido para o francês e incluído na antologia Poésie du Brésil, organizada por Lourdes Sarmento e lançada em Paris.
1998 – No dia 21 de maio nasce Elson José Farias Souto, o primeiro neto, filho de Klarisse.
– Lança a novela O Comandante.
1999 – Lança a rapsódia Tauacuéra, a cidade desaparecida, que constitui, com O adeus de Diana e O Comandante, a Trilogia Amazônica, o homem e o rio.
– Tem poemas incluídos na antologia A poesia amazonense do século XX, organizada por Assis Brasil e lançada no Rio de Janeiro.
2000 – Inspirado no filho José Eugênio, o Zezé, e baseado na vivência de sua própria infância no interior da Amazônia, na beira do rio, escreve as estórias destinadas ao público infanto-juvenil da série Aventuras do Zezé na Floresta Amazônica.
– É aposentado no cargo de Conselheiro do extinto Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Amazonas.
– Lança José Lindoso, semeador de esperança, ensaio biográfico na série de estudos a que chamou de Personalidades da Amazônia.
- Tem poemas incluídos na antologia Águas dos trópicos, organizada por Beatriz Alcântara e Lourdes Sarmento e lançada em Fortaleza, Ceará.
2001 – Dia 11 de agosto nasce Marcelo Vasconcelos Farias, segundo neto, filho de Marcelo.
– Lança O tupé voador, As aves pedem ajuda e O romance dos sapos, da série das Aventuras do Zezé.
– Tem poemas incluídos na antologia A poesia se encontra na floresta, organizada por Thiago de Melo e lançada em Manaus.
2002 – Lança uma segunda edição dos livros anteriores da coleção das Aventuras do Zezé, e mais sete novos a saber, Procurando a noite verdadeira, Noite de viração, De mãos dadas com a paz, A história da inteligência, O jovem tamarindo, Viajando com o boto no fundo do rio e a Origem das estrelas. Enfim, a série das Aventuras do Zezé reúne 10 (dez) livros.
– Lança o décimo quarto livro de poemas A Destruição Adiada.
– Tem poemas incluídos na antologia Fauna e flora nos trópicos, organizada por Beatriz Alcântara e Lourdes Sarmento e lançada em Fortaleza, Ceará.
2003 – Dia 26 de junho nasce Vicente Roberto Farias Souto, terceiro neto, filho de Klarisse.
2004 – Tem poemas traduzidos para o inglês e publicados na antologia Literary Amazônia, Modern Writing by Amazonian Authors, organizada por Nicomedes Suárez-Araúz e lançada nos Estados Unidos.
– Participa com o ensaio intitulado Cultura na Amazônia Ocidental, do livro Amazônia, Terra & Civilização, uma trajetória de 60 anos, organizado por Armando Dias Mendes.
– É eleito Presidente da Academia Amazonense de Letras, para mandato de 2 (dois) anos e toma posse em janeiro.
– Lança o romance Ilha do Risco.
2005 – Sai uma segunda edição de Barro Verde, revista pelo autor.
– É condecorado pelo Governo com a Ordem do Mérito Estado do Amazonas, no grau de Grã-Cruz.
2006 – É reeleito e assume em janeiro o segundo mandato como Presidente da Academia.
– Lança Memórias Literárias.
– Lança o décimo quinto livro de poemas Semibreves & Exercícios de Harmonia.
– Pelo transcurso de seus 70 anos de idade tem sua obra estudada em mesa redonda na Editora Valer, sendo festejado em várias escolas de ensino fundamental e de primeiro e segundo graus, públicas e particulares de Manaus.
2007 – Lançamento do infanto-juvenil Manaus do Rio Negro, a Capital da Floresta.
– Encerra os mandatos de quatro anos na Presidência da Academia Amazonense de Letras e se dedica inteiramente ao seu trabalho literário.
(dados produzidos em 5.03.2008)

